Manhãs caóticas: A realidade da mãe que não tem o privilégio de acordar lentamente
Bem-estar 13 de fevereiro de 2020 2 min de leitura

Manhãs caóticas: A realidade da mãe que não tem o privilégio de acordar lentamente

Antes dos olhos abrirem eu já estava em pé. Desenvolvi uma habilidade de ver sem enxergar.
A lista de pedidos já havia preenchido a primeira parte da manhã. Não foi com um -bom dia mamãe! Dormiu bem? Que meu dia começou! Foi com um -prooooontooo! Já terminei! que vinha do banheiro ao lado e de alguém pressionando meu corpo pedindo o café da manhã!
Não havia mais ninguém ali para admirar essas habilidades de realizar tantas coisas ao mesmo tempo, sem ainda ter percebido o próprio corpo depois da noite cheia de episódios! Capítulos repetidos da minha vida faz 14 anos.
Depois de parte da lista cumprida, enquanto o dia se iniciava, fiquei esperando mais alguém acordar para descontar a raiva que estava sentindo por não ter sido eu a ter o privilégio de acordar lentamente, dar aquela espreguiçada, tirar as remelas de uma noite bem dormida.
Acho que tudo bem eu sentir está raiva além da solidão de não ter cúmplices que empatizem com minha situação.
O vigor com que as crianças despertam me faz desejar o fim do dia e quando elas adormecem eu temo a noite. Temo o choro, as necessidades urgentemente inegociáveis.
A noite acontece, eu ouço as cigarras, os morcegos que vivem no forro do telhado, os cachorros latindo sem propósito e de repente já são os pássaros que anunciam o novo dia.
Soma-se a raiva e a solidão um certo desespero. Logo haverá o chamado no banheiro e o café deverá ser servido. Tenho o direito de fazer uma cara feia, afinal não havia ninguém com a grandeza para reconhecer tantos gestos. Talvez nem mesmo eu consiga reconhecê-los! Mas acolho esse sentir que vez ou outra permeia o meu maternar! E que me permite reconhecer a grandeza de cada nova mãe que presenteia o meu caminhar!
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Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.