Se existe algo que faz o meu coração se espremer instantaneamente, é ouvir as frases: “você tem que” ou “você devia”.
Quando me tornei mãe pela primeira vez, eu estava a milhares de quilômetros de distância da minha família e de todas as minhas referências mais profundas de afeto e de maternidade. Eu era uma mãe jovem, vivendo em Paris — uma cidade onde a norma cultural e social era ter filhos muito mais tarde, apenas depois de comprar o próprio apartamento.
Naquele cenário, eu me sentia profundamente envergonhada, perdida, vulnerável e cheia de inseguranças. Tudo isso vinha acompanhado por uma vontade esmagadora de não falhar e de não errar com o meu bebê.
Para piorar o isolamento, estávamos em uma época em que uma única ligação telefônica internacional custava mais caro do que eu gastava para comer, o que mantinha a minha família ainda mais distante geograficamente e emocionalmente.
O preço de ser “diferentona”
Eu vivia um duplo não-lugar: era uma estrangeira lá fora e, ao mesmo tempo, sentia-me uma estranha dentro do meu próprio país. Isso porque as minhas escolhas conscientes de parto e de criação não eram compreendidas; as pessoas as colocavam na caixinha da “bicho-grilo” ou na prateleira da “diferentona”.
Foi justamente entre esses perrengues juvenis e solitários que eu fui, aos poucos, cavando e encontrando um caminho autêntico e cheio de sentido. Um caminho que conectava a minha essência mais pura ao meu verdadeiro propósito de vida.
Nessa travessia tão bonita quanto dolorosa, foram os grupos de mães dos quais participei que me sustentaram emocionalmente para que eu não me afogasse.
Dessa experiência, nasceu a minha descoberta mais simples e revolucionária: a vida precisa ser preservada, e o meu papel como mãe era apenas atrapalhar o mínimo possível. Para que isso acontecesse, bastava encontrar os recursos internos e externos necessários para me manter como esse útero vivo que preserva a criação deste ser, mesmo fora de mim.
Por que no ParentalLab você nunca ouvirá um “você tem que”
É por ter vivido tudo isso na pele que, no meu trabalho clínico e nos grupos com as mães recém-nascidas, jamais alguém me ouvirá dizer “você devia”*ou “você tem que”.
Eu sei perfeitamente o dano, a culpa e a paralisia que a imposição externa causa em uma puérpera.
Eu prefiro usar a minha energia para oferecer e criar o nosso espaço: um tempo de encontro legítimo que é, por si só, criativo e potente. Um lugar que permite a cada mulher encontrar a leveza e a autenticidade necessárias para aceitar a sua nova realidade com verdadeira liberdade.
Os meus perrengues do passado precisam ter valido a pena para alguma coisa. Nos grupos de pós-parto do **ParentalLab**, eu honro a minha própria história a cada novo encontro. É ali que tenho a chance de acolher e acreditar na força que sei que já existe em cada mulher para ser a melhor mãe que ela pode ser — sentindo-se, finalmente, livre e dona de suas próprias escolhas.
Espaço da nossa Aldeia
Você também já se sentiu isolada nas suas escolhas de criação, como se não coubesse nas expectativas da sua família ou dos seus amigos? Qual foi o “você tem que” que mais te machucou no início da maternidade?
Compartilhe a sua história aqui nos comentários. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.


