Ah… se a vida fosse resumida a apenas uma curtida! Se tudo fosse igual àquele milésimo de segundo em que a foto na rede social impressiona, onde quem está do outro lado não faz a menor ideia de todo o resto que acontece nos bastidores.
Se o mundo real imitasse as telas, o relacionamento conjugal seria sempre aquela foto bonita de viagem e a rotina com os filhos seria um eterno comercial de margarina. O grande perigo é que, de tanto olharmos para esses belos recortes alheios, passamos a acreditar piamente que a vida deveria ser feita apenas desses instantes idílicos.
Mas como encontrar prazer e leveza quando você precisa acordar e levantar sem sequer ter conseguido abrir os olhos direito? Quando o corpo exausto ainda implora pelo calor da cama? Como encontrar leveza quando você observa o seu prato de comida, preparado às pressas, esfriar na mesa e perder o sabor enquanto acode um choro? Quando as conversas com o seu parceiro parecem aquela brincadeira infantil de frases recortadas e sem nexo, interrompidas a cada dois minutos?
Nessas horas de saturação, o único pensamento que surge é o de fugir para o Himalaia. Estar no silêncio absoluto, na sua própria e única companhia. Ter de volta a sensação libertadora de que todas as oportunidades do mundo ainda estão abertas para você.
O aprisionamento do “ter que”
A engrenagem do “ter que” cuidar, “ter que” dar banho e “ter que” alimentar aprisiona a nossa alma. Quando operamos no piloto automático da obrigação e do fardo, o desgosto passa a acompanhar cada pequeno gesto do cotidiano.
Diante dessa exaustão crônica, surge a pergunta inevitável: será que estamos condenadas? Será que não nos resta mais nenhuma decisão sobre como viveremos as vidas que nós mesmas planejamos e sonhamos no passado?
A resposta clínica e humana pode parecer dura, mas é o início da sua libertação: você não tem a obrigação que se impõe.
Faça um exercício mental e se ofereça, por um breve instante, essa liberdade intelectual. Reconheça que, para além dos moralismos rígidos e das cobranças culturais que você carrega nos ombros, você não é biologicamente obrigada a cuidar dos filhos e tampouco a manter uma relação amorosa. O mundo não vai acabar se você admitir isso.
Da obrigação à escolha consciente
Se você continua ali, acordando de madrugada, dando o banho, preparando o prato e sustentando o diálogo com o seu parceiro, isso é uma escolha. É uma decisão sua, renovada a cada amanhecer.
E a grande virada de chave da parentalidade consciente reside justamente aqui: dentro dessa escolha que você já fez, você também tem o poder de decidir se vai viver o processo gostando da sua realidade (com seus altos e baixos) ou se vai continuar se martirizando no papel de vítima das circunstâncias.
A liberdade não está em não ter filhos ou em não ter um casamento; a liberdade está em assumir o protagonismo das escolhas que sustentam a sua biografia.
Espaço da nossa Aldeia
Sair do lugar de mártir e assumir que a maternidade e o casamento são escolhas diárias exige muita coragem e honestidade interna.
Qual tem sido o seu maior “ter que” na rotina atual? Você consegue enxergar a sua escolha por trás desse cansaço ou se sente totalmente sem saída? Compartilhe a sua história nos comentários. Vamos continuar transformando as nossas dores em uma rede de liberdade e acolhimento mútuo.


