Existe um senso comum que acredita, ou espera que o choro do bebê desperte no adulto um sentimento e um comportamento adequado para ampará-lo, porém esta expectativa não se confirma na realidade.
Muitas vezes o que o choro do bebê e da criança desperta em nós adultos são sentimentos de angústia, ansiedade, ressentimento, derrota e até mesmo desespero, dúvida sobre o amor que sentimos pela nossa cria. Muitos desses sentimentos são motivados por crenças de que somos responsáveis pelo choro, ou de que a criança utiliza do choro para nos manipular.
Nossa criação não nos favoreceu neste sentido. Muitos de nós não tiveram a experiência de ter o choro acolhido. Aprendemos que chorar era uma resposta inadequada, que demonstra fraqueza e que não é proporcional ao mal que sentimos. “-Engula esse choro!”, “-Vou te dar motivo para chorar!” e por aí vai… diferentes alegorias para a mesma crueldade; ameaça, punição, privação, distração, provocação, vergonha etc.
Associamos o choro com a perda de controle. Você certamente já se desculpou por ter chorado diante de outra pessoa e já se sentiu constrangido de ter diante de si alguém em prantos. Nossa reação natural é encontrar algo que alivie a tensão desse constrangedor momento, tirando a atenção p/ outra situação, minimizando a dor do outro, encontrando uma solução prática para entregá-la como paliativo. Acolher o pranto do outro faz “revirar as tripas”.
Por essa razão ter um bebê que chora é um sofrimento p/ a nova mãe. Ela se sente insuficiente, inapropriada, incapaz. Evidentemente bebês choram, o q torna inevitável se confrontar com esse mal estar. Nas próximas postagens,poderemos compreender a fisiologia do choro e do estresse no recém-nascido, no bebê e na criança e tentar encontrar uma forma mais adequada de lidar com ele.
Você pode tirar um tempinho para se perguntar quais são suas crenças e experiências com o choro. Preste atenção aos seus sentimentos qdo vê alguém chorando e como se sente em chorar diante de alguém.
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