Silenciosos momentos de pausa por vezes me assombram com pensamentos vergonhosos. Lembro de algumas situações que vivi com as crianças e sinto uma dolorosa inibição. A chave para abrir a porta da culpa, mas o verdadeiro sentimento é uma vergonha tão grande, uma censura sobre mim mesma que o impulso e me afastar e deixar aquele mal estar me intoxicar, invalidando todos os outros feitos possíveis e suficientes. Meu foco fica apenas sobre frases repetidas em eco.
Sinto o gosto amargo que esses pensamentos me trazem. Por inúmeras vezes tentei fugir, justificar, relativizar e até sentir certo alívio, mas nada suficiente para reparar as possíveis consequências daquele ato ou me trazer o descanso do acolhimento em minha real humanidade. O que têm sido um recurso valioso e um educar a mim mesma e olhar com atenção essas cenas. Revivê-las sem julgamento e sem expectativa. No lugar da vergonha, na maioria das vezes surge um verdadeiro arrependimento e empatia que me refrescam com a liberdade de poder continuar aprendendo e a possibilidade de trazer fluxo para esses pensamentos tão densos.
Percebo o legado deixado às crianças quando peço para recordarmos algumas experiências nossas e eu as revelo meu arrependimento e pergunto como elas devem ter se sentido naquele momento. Eu peço desculpas e investigo se há alguma forma de reparar minha atitude.
Essa franqueza me liberta, expõe minha essência humana e nos aproxima. No fim entendo que há lugar também para amar as falhas, pois elas fazem parte.
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