O maior risco que eu corro quando as tarefas tomam conta da rotina, quando os dias se repetem de forma entediante e monótona é me anestesiar, deixar de ser sensível, embarcar nos pensamentos que me mantém distante.
Devido a tantas demandas e solicitações percebo a sensibilidade começar a escorrer, se afastar de mim. O corpo enrijece como se uma casca grossa se formasse como um escudo protetor, a respiração sobe acelerada.
O olhar perde o detalhe, o toque fica áspero e fujo o quanto posso de qualquer contato, a pele dói. A voz se eleva e o mundo fora das quatro paredes é um atraente convite.
O caminho que me leva a esta perda tão significativa é experimentar com muita frequência a frustração e a impotência. Não é nada confortável sentir-se insuficiente e deixar de fazer tantas coisas por si e pelos outros. Sem dúvida alguma é melhor experimentar a possibilidade de entrega, resultados e reconhecimento que temos no trabalho por exemplo.
Esse circuito tende a nos afastar cada vez mais e tornar cada vez mais caótica as relações. O afastamento torna-se justificável.
E ai? O que fazer? Acolha sua frustração e impotência, elas também fazem parte, principalmente se podem tornar-se um convite para superação e conquista de um lugar em si mesmo repleto de recurso e auto conhecimento.
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