Relacionamento conjugal pós-filhos: a importância de cuidar da base familiar
Casal 12 de junho de 2019 3 min de leitura

Relacionamento conjugal pós-filhos: a importância de cuidar da base familiar

De onde vem a vida? É uma pergunta aparentemente pequena, mas de uma complexidade infinita. Eu não sei exatamente de onde ela vem, mas sei, com absoluta clareza, que ela vem através de duas pessoas que concordam — mesmo que de forma inconsciente — em passá-la adiante. Essa união permanece, queiramos ou não, gravada no corpo desse filho para o resto das nossas vidas. Através dos nossos filhos, nós nunca mais estaremos sós. Eles são a materialização viva da nossa condição humana de interdependência.

No entanto, quando os filhos nascem, a chegada deles e as demandas dos primeiros anos desestabilizam enormemente as nossas estruturas, sobretudo a nossa relação conjugal. É nesse momento de tempestade e cansaço que o namoro que veio antes se transforma em um recurso vital para a superação dessa fase.

Quando temos um bebezinho nos braços, é comum que a gente simplesmente não lembre ou não consiga encontrar energia para dar atenção ao parceiro. Mergulhadas no cuidado integral com a cria, esquecemos que a nossa relação afetiva, o nosso namoro, precisa ter prioridade.

O namoro dos pais como o ninho do filho

Cuidar da relação conjugal não é um ato de egoísmo ou de desatenção com os filhos; pelo contrário, é cuidar ativamente do ambiente em que a nossa criança vai crescer e se desenvolver. Cuidar da nossa relação é garantir que o nosso filho receberá o amor do pai, que lhe é de direito. Cuidar da relação é, também, abrir espaço e dar a devida importância à força do masculino na nossa vida.

As crianças possuem uma sensibilidade sutil e extraordinária. Elas se alegram profundamente quando veem os pais namorando, trocando um carinho ou um olhar cúmplice. Diante da cena de amor entre os pais, os filhos suspiram e relaxam. Eles sentem que o mundo deles está seguro.

Não há nada mais delicioso do que reservar um dia para celebrar o nosso namoro e dar o devido reconhecimento a essa pessoa incrível que concordou em se unir conosco para o resto da vida — e que confia tanto em nós para garantir a sobrevivência de tudo o que construímos juntos. Namorar é bom demais!

As duas fotos que acompanham este sentimento foram tiradas na Chapada dos Guimarães: a primeira no ano de 2000, e a segunda em 2017. Dezessete anos e uma vida inteira contida no intervalo entre dois cliques.

Um feliz Dia dos Namorados a todos os eternos namorados que têm a coragem de continuar cuidando da base.

Espaço da nossa Aldeia

Colocar o relacionamento conjugal em pauta no pós-filhos exige um esforço consciente de romper com o isolamento do casulo materno para reabitar o espaço do casal.

Como tem sido para você e seu parceiro encontrar espaços de namoro e cumplicidade no meio da rotina exaustiva com os filhos? Você consegue perceber no comportamento das crianças o reflexo de quando a relação de vocês está em harmonia ou em conflito? Compartilhe a sua caminhada nos comentários. Vamos conversar sobre como nutrir os nossos casamentos na nossa aldeia!

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.