A Batalha do Sono: Tensão Materna e o Choro Silencioso
Autoconhecimento 12 de março de 2020 2 min de leitura

A Batalha do Sono: Tensão Materna e o Choro Silencioso

Foram duas horas e meia para que ela caísse no sono!
Foi uma lição pra mim!
Antes de entrar no quarto para fazê-la dormir desejei sair logo, pois estava tensa como uma corda de violino!
Uma tava de vinho branco traria o torpor suficiente para o meu relaxamento.
Porém minha tensão não era só física. Estava em um estado emocional nada fofo para receber a doçura de uma sensível criança.
Minha mente decidiu guerrear. Queria ter controle da situação. Meu desejo era que ela desistisse, se rendesse, abrisse mão da resistência e adormecesse sem dar mais trabalho. Mas por sorte seu amor é imenso e ela se manteve firme mesmo diante de minhas ameaças.
Depois de perder pra mim mesma, me envergonhei, me senti pequena e lembrei de mim com a idade dela. E fui tomada pelo choro calado, perdido entre tantas distrações!
Chorei compulsivamente em sua cumplicidade! Me desculpei, reconheci a verdade que se impunha!
Eu não estava bem e seu desejo de me fazer companhia era reação de sua insegurança por me perceber tão alterada! Nos envolvemos em abraço e rapidamente ela adormeceu. Ao sair do quarto não precisei mais do vinho. As tensões haviam se dissipado e algo muito potente foi revelado.
Aprendi que não conseguimos fingir que as coisas vão bem quando não vão! E tampouco podemos achar que tudo sempre estará bem para beneficiar nossos filhos. Mas o que fazer? Aceitar a recado da criança como uma preciosa mensagem e legitimar sua percepção.
A criança reage a partir da sua percepção da verdadeira realidade! Nada pode ser mais angustiante do que perceber a verdade e alguém negá-la, distorcê-la, achando que é isso que ameniza o sofrimento. A confusão e a insegurança que isso causa pode sim tirar o sono.
Nem nosso pior estado emocional é tão difícil de suportar do que a nossa hipocrisia.
Os filhos amam os pais e são leais a eles, também na dor. Não nos abandonam, ao contrário disso quando nos percebem mal, nos dão mais trabalho, nos pedem mais atenção, acordoam com frequência.
Cobrar-se estar sempre bem para evitar essa situação, a mim, parece impossível.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.