É misturando uma dose de euforia e outra profunda de medo que nós aceitamos a estranha aventura que é o maternar.
No exato momento em que o bebê nasce, nós nos desprendemos bruscamente de um porto seguro e conhecido para sermos colocadas em movimento em direção a uma outra margem totalmente misteriosa. Mesmo que você nunca tenha se considerado uma desbravadora ou alguém propensa a grandes riscos, é exatamente esse o papel que você assume quando tem, pendurado ao seu peito, o seu bebê recém-nascido.
Nesse caminho de águas profundas, o desprendimento é duplo: nós deixamos para trás não apenas a margem social que mantinha firmes os nossos pés na rotina antiga, mas também nos despedimos de aspectos centrais da nossa própria identidade. Diante disso, a mente se enche de questionamentos profundos:
Será que eu serei capaz de deixar ir quem eu era?
Como aprender a viver com a incerteza do desconhecido que virá amanhã?
É possível, nessa travessia, determinar onde será o nosso porto de chegada e qual paisagem poderemos desfrutar quando finalmente pisarmos novamente em terra firme?
O peso da desorientação
Se você se reconhece nesse cenário, se sente confusa, desorientada e percebe que uma angústia persistente aperta o seu peito nos dias mais difíceis — a ponto de tudo o que você deseja em alguns momentos ser estar em qualquer outro lugar —, saiba que você não está sozinha e nem está errada.
Essa sensação de perda faz parte do metabolismo do luto materno. O grande desafio que se apresenta para nós nesse barco é entender: o que nós podemos levar junto com a gente nessa bagagem? Como fazer uso consciente dos nossos recursos emocionais e da nossa rede de apoio em um momento tão sensível, intenso e vulnerável?
Encontrando o seu novo porto seguro
A proposta do **ParentalLab** é ser, justamente, a bússola e o ponto de apoio para que você não precise navegar por esse mar às cegas. Entender que a paisagem vai mudar e que a terra firme do outro lado será diferente da que você deixou para trás é o primeiro passo para vivenciar o pós-parto com menos cobrança e mais espaço para a reconstrução de si mesma.
O porto de chegada pode ser desconhecido, mas a caminhada pode ser compartilhada e acolhida.
Espaço da nossa Aldeia
Olhando para o início do seu pós-parto ou para o momento que você está vivendo agora: qual foi a parte da sua identidade antiga que você sentiu mais dificuldade de deixar ir para conseguir seguir viagem na maternidade?
Deixe as suas impressões aqui nos comentários. Vamos juntas construir esse mapa de navegação e fortalecer a nossa comunidade de apoio mútuo.


