Será que é possível fazer um processo terapêutico sem falar da nossa relação primordial?
Você pode achar que está bem resolvida com a sua mãe, mas querendo ou não, a relação que vocês viveram interfere na sua vida o tempo todo. Na maioria das vezes de forma inconsciente. O que o processo terapêutico proporciona é a possibilidade de compreensão, para que tome consciência dessa influência e possa a partir daí fazer escolhas individuais.
É meio irritante esse papo né? Mexe com a gente tanto como filhas, por ainda termos nossas questões a serem trabalhadas, e quanto mães porque seremos o problema de alguém.
E tá tudo certo, para tornar-se maduro é preciso tomar consciência do que nos influencia.
Se nossa mãe foi responsável por nossos cuidados, ou se não foi, se esteve doente, se esteve demasiadamente disponível, se voltou logo a trabalhar, se largou o emprego para cuidar de nós. Todas as escolhas feitas trouxeram consequências, não necessariamente ruins. Conseguir encontrar os sentimentos que essas escolhas nos provocaram é um caminho de cura e de liberdade, para aí então decidir fazer por si, o que fantasiosamente ainda esperamos que nossos pais façam por aquela criança que fomos um dia.
Falar da mãe na terapia e investigar nossas origens não deve servir para reivindicar no presente o que vivemos no passado, deve servir apenas para compreendermos, acolhermos nossos sentimentos e seguirmos adiante.
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