Se você já passou por um processo terapêutico ou já pensou em começar, talvez já tenha se pego pensando: “Será que é realmente necessário voltar no passado e falar da minha relação primordial?”.
Às vezes, você pode até acreditar que está com tudo super bem resolvido em relação à sua mãe. Mas a verdade clínica, quer queiramos ou não, é que a relação que vocês viveram no início da vida interfere nas suas decisões, medos e reações o tempo todo — na grande maioria das vezes, de forma completamente inconsciente.
O que o processo terapêutico proporciona não é um tribunal para julgar o passado, mas sim a possibilidade de compreensão. É o espaço para você tomar consciência dessa influência e, a partir daí, conquistar a liberdade de fazer escolhas verdadeiramente individuais.
“Lá vem a psicóloga falar da minha mãe…”
Vamos combinar? Esse papo pode ser meio irritante às vezes, não é?
É um assunto que mexe profundamente com a gente em duas frentes muito delicadas:
**Como filhas:** Porque nos obriga a olhar para as feridas, faltas e expectativas que ainda temos guardadas e que precisam ser trabalhadas.
**Como mães:** Porque nos depara com a realidade nua e crua de saber que, não importa o quanto a gente tente acertar, nós também seremos a “questão” a ser trabalhada na terapia de alguém no futuro.
E sabe de uma coisa? Está tudo certo. Para tornar-se emocionalmente maduro, é preciso ter a coragem de tomar consciência daquilo que nos influencia.
As escolhas e as suas consequências
Se a sua mãe foi a principal responsável por seus cuidados na infância, ou se por algum motivo ela não pôde ser; se ela esteve doente; se esteve demasiadamente disponível a ponto de sufocar; se precisou voltar logo a trabalhar ou se largou o emprego e a carreira para cuidar de você… Todas as escolhas feitas trouxeram consequências.
E é vital pontuar: consequências não são necessariamente ruins.
O grande passo para a cura e para a liberdade não é mudar o que aconteceu, mas conseguir encontrar e nomear os sentimentos que essas escolhas provocaram em nós. Só assim conseguimos decidir fazer por nós mesmas, hoje, o que fantasiosamente a nossa mente ainda espera que os nossos pais façam por aquela criança que fomos um dia. É o processo de assumir a própria história.
Investigar as origens para seguir em frente
Falar da mãe na terapia e investigar as nossas origens nunca deve servir para reivindicar no presente o que vivemos (ou deixamos de viver) no passado. Não é sobre apontar culpados ou ficar presa no ressentimento.
Esse mergulho serve apenas para que você possa:
- 1. Compreender a dinâmica da sua história;
- 2. Acolher com generosidade os seus próprios sentimentos;
- 3. E, finalmente, ganhar asas para seguir adiante.
Olhar para trás é, na verdade, o único jeito seguro de caminhar para a frente com autonomia.


