Afeto e autocuidado: redescobrindo o prazer em se permitir no maternar
Autoconhecimento 26 de abril de 2021 3 min de leitura

Afeto e autocuidado: redescobrindo o prazer em se permitir no maternar

Deixar-se abraçar afetuosamente. Você já viveu essa experiência com entrega total? Essa entrega genuína ao calor do corpo do outro ou ao calor da sua própria alma?

Na jornada da maternidade, nem sempre o afeto flui disponível de forma automática. Quantas vezes nossos filhos ou parceiros nos procuram com calor nos braços e encontram o nosso corpo gélido, tenso e rígido pelas demandas do cotidiano?

Precisamos falar abertamente sobre isso: o aconchego e a capacidade de relaxar no toque não vêm prontos na mala de maternidade.

O aprendizado do prazer não sexualizado

O prazer não sexualizado — aquele que habita o toque puro, a presença e o repouso — é algo que muitas de nós aprendem principalmente na relação com os filhos. O aconchego, esse “calorzinho” que convida o corpo para permanecer no abraço de forma infinita, é um lugar que precisamos nos autorizar a habitar com frequência.

Essa entrega não vem necessariamente junto com o amor biológico. Sentir amor é uma coisa; permitir-se sentir a gostosura, o prazer e o relaxamento físico no corpo é um processo de aprendizado e de auto-permissão.

Muitas mães operam no modo de sobrevivência por tanto tempo que seus corpos se esquecem de como desarmar. Ficamos vigilantes, duras, prontas para a próxima tarefa.

O resgate da “obsessiva fazeção”

Aos poucos, precisamos aprender a encontrar esse lugar de repouso dentro de nós mesmas. Ser esse espaço quentinho para apenas estar. Olhar-se com afeto, paciência e amorosidade é o que nos resgata da obsessiva fazeção — aquela engrenagem cultural que nos diz que só temos valor se estivermos produzindo, limpando, cuidando ou organizando algo.

Quando nos permitimos parar, conseguimos desfrutar de um “aqui e agora” que equilibra, revitaliza e, finalmente, nos descongela.

Em crianças saudáveis, vemos esse calor e essa presença fluindo de forma absurdamente disponível. Ele transborda no riso frouxo, no toque espontâneo, no encontro despretensioso dos corpos e na alegria que elas compartilham com tanta generosidade. Os bebês e as crianças pequenas são mestres na presença.

Mantendo a chama nutrida

Aprender a receber esse afeto sem pressa é um ato de profunda gratidão. Os filhos nos fazem um convite abundante e diário para experimentarmos e mantermos dentro de nós essa chama sempre nutrida e viva — tanto nas nossas relações familiares quanto no nosso próprio mundo interior.

Portanto, quando seu filho se aproximar para um abraço hoje, experimente conscientemente soltar os ombros. Respire fundo. Deixe o corpo amolecer e receber o calor. O autocuidado começa na permissão de sentir a gostosura de estar viva e presente na própria pele.

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.