Esta semana, fiz uma pergunta despretensiosa nos meus *stories* do Instagram: perguntei se eu deveria mudar uma percepção pessoal para poder vencer um desafio específico e alcançar um objetivo.
A resposta foi unânime: **100% das pessoas respondeu que sim.**
Em um primeiro momento, confesso que gostei do resultado. Eu me senti encorajada a tomar a atitude e a seguir em frente, principalmente porque, ao envolver a minha comunidade na decisão, a validação me trouxe uma sensação gostosa de aprovação. No entanto, o papel da reflexão é justamente nos puxar de volta para o chão.
Após passar alguns dias digerindo o cenário, percebi que eu simplesmente não ficaria em paz com a minha própria consciência se rumasse naquela direção. Seguir aquele “sim” significaria violar a minha congruência com um valor que é inegociável para mim. E, curiosamente, a resposta do público foi o espelho que eu precisava para chegar a essa conclusão.
Adaptação é necessária; valores são inegociáveis
Nós precisamos, sim, nos adaptar, evoluir e nos reinventar ao longo da jornada. O movimento e a mudança são necessidades evolutivas saudáveis e importantes. Contudo, existe uma linha clara que separa a flexibilidade da perda de identidade: as nossas necessidades profundas e os nossos valores essenciais devem ser inegociáveis.
O tempo todo, somos convidados pela cultura a abrir mão de nossas convicções mais íntimas:
- Para pertencer a um núcleo familiar;
- Para sermos aceitos em determinados grupos sociais;
- Para nos encaixarmos nas expectativas da equipe de trabalho;
- Para sustentar relacionamentos que, aos poucos, nos anulam.
Até podemos abrir mão de algo em nome do coletivo, desde que isso seja feito de forma consciente, com um propósito claro e que faça sentido para nós. O perigo real mora na mudança cega.
Qual é a sua real motivação?
Precisamos ter clareza absoluta sobre a nossa motivação de fundo antes de pivotar uma escolha. Qual necessidade você está tentando atender ao mudar de postura?
Se a mudança visa o seu crescimento pessoal, a superação de um limite, a busca por mais saúde, felicidade ou prosperidade real, é bem provável que a travessia valha a pena. Mas se a mudança serve única e exclusivamente para aplacar uma necessidade externa ou performar para os outros, o risco de adoecimento psíquico é imenso.
Muitas transformações na nossa vida são compulsórias e impostas pelas circunstâncias do mundo, mas mesmo nelas nós guardamos o poder de escolher *como* iremos vivenciá-las.
Preservar a essência para poder liderar
Essa característica de preservar a minha essência e fazer questão de viver os meus valores em cada pequena ou grande escolha foi exatamente o que me fez chegar até aqui. Foi o que me permitiu construir o **ParentalLab** e me destacar profissionalmente em tantos aspectos da minha carreira. E é assim que permanecerei.
Só mudarei o meu curso pelo que faz sentido verdadeiro na minha caminhada, e nunca apenas para atender a uma provocação do ambiente ou à métrica do momento. Valeu demais ter vivido essa reflexão com vocês nos bastidores.
Afinal, para ensinar autonomia para os nossos filhos, precisamos primeiro bancar a nossa própria autonomia diante do mundo.


