Em 2011, eu tomei uma decisão difícil: decidi encerrar as atividades do meu projeto na época, o *Espaço Aobä*, e me mudar para o Rio de Janeiro para acompanhar o meu marido em uma transição de trabalho. Eu estava exausta e enxerguei aquela mudança como uma oportunidade de respirar novos ares e empreender em outra área. E, de fato, foi uma experiência muito legal.
Mas o sonho e o propósito que o *Aobä* nutria nunca desapareceram do meu coração. Com o passar do tempo, comecei a ficar profundamente incomodada por tê-lo largado.
Nessa fase, caí na armadilha de acreditar que o meu tempo já havia passado. Sentia que outras pessoas já tinham ocupado e se aproveitado do lugar que eu havia lutado tanto para conquistar no meu nicho de atuação. Esse pensamento me deixava para baixo, aprisionada em uma sensação constante de derrota e estagnação.
O tempo de gestar filhos e novos projetos
Quando engravidei da minha filha Cora, em 2015, decidi fazer um pacto comigo mesma. Dei-me um prazo claro para retomar as minhas atividades profissionais e a minha verdadeira vocação: estipulei dois anos de dedicação à maternidade, sem saber exatamente o que aconteceria depois.
O tempo passou e, cumprindo a minha promessa íntima, retomei a caminhada. Em 2018, comecei a dar vida ao **ParentalLab**, que inicialmente operava em um modelo totalmente presencial.
Tudo caminhava bem, até que o ano de 2020 chegou e exigiu que eu — e o mundo inteiro — precisássemos nos reinventar radicalmente.
A barreira do digital e a virada de chave
Eu nunca tinha cogitado trabalhar através das redes sociais. Sempre que tentava me movimentar nesse ambiente digital, sentia-me tímida, frustrada e arrependida. Eu olhava para trás e pensava: “Quantas coisas eu poderia ter compartilhado e a quantas pessoas eu já poderia ter ajudado se não tivesse desistido da minha voz lá atrás?”.
Essa chateação me paralisava. Novamente, eu entrava em conflito direto entre a grande missão que sinto pulsar em mim e a dificuldade de expressá-la publicamente para ajudar as mães que precisavam. Vocês me viam por aqui de vez em quando, de uma maneira muito tímida — e era exatamente assim que eu me sentia por dentro.
Até que tomei a decisão de ir além das minhas frustrações, das minhas limitações tecnológicas e dos meus receios. Escolhi focar inteiramente no meu propósito: **vocês.**
Não é sobre mim, é sobre a nossa aldeia
Decidi que o medo não poderia ser maior do que a vontade de apoiar e acolher mulheres nesse processo tão vital e transformador que é a maternidade.
Este espaço não é sobre mim ou sobre o meu ego. Ele é sobre colocar a minha experiência clínica, as minhas vivências e o meu conhecimento a serviço da ajuda. O **ParentalLab** existe para:
- Apoiar e acolher cada mãe em sua jornada individual;
- Criar uma comunidade real e segura, que se importa profundamente com a criação respeitosa das crianças;
- Celebrar o maternar de cada mulher, reconhecendo e validando todo o esforço invisível e implícito em cada superação diária.
Por isso, agora vocês vão me ver bastante por aqui. E como esse conteúdo é inteiramente feito para vocês, eu peço que se apropriem dele. Sugiram temas, comentem as suas dores, convidem outras pessoas que vão somar e enriquecer a nossa construção. A casa está aberta e eu estou, finalmente e inteiramente, à disposição.


