Escolhas da mulher: maternidade, sociedade e a busca pela autonomia pessoal
Autoconhecimento 29 de maio de 2019 3 min de leitura

Escolhas da mulher: maternidade, sociedade e a busca pela autonomia pessoal

A mulher deve estar rigorosamente no lugar em que ela decidir estar!

Em tempos não muito longínquos, o que determinava o nosso espaço, as nossas funções e as nossas atribuições cotidianas era o roteiro imposto pelo social. A maternidade, a paternidade, o fato de ser homem ou ser mulher — tudo já vinha com uma cartilha rígida de prós, contras e expectativas exaustivas a cumprir. Éramos considerados indivíduos “bons” e integrados se estivéssemos em perfeito acordo com essas normas silenciosas; por outro lado, éramos sumariamente excluídos ou marginalizados se ousássemos perturbar esse status quo.

Acontece que, na era da tomada de consciência, essa engrenagem antiga já não se sustenta. O que determina os nossos papéis e as nossas funções sociais hoje passa, obrigatoriamente, pelo crivo da escolha pessoal.

Atualmente, temos a liberdade histórica de escolher que tipo de mulher queremos ser e que modelo de maternidade desejamos viver. No entanto, embora seja um movimento profundamente empoderador fazermos as nossas próprias escolhas, ainda falta um detalhe crucial nessa equação: a consciência real e a noção clara de consequência.

A ilusão da escolha e o encontro com a sombra

O que quero dizer com isso é que, muitas vezes, nutrimos a doce ilusão de que estamos escolhendo caminhos de forma livre, quando, na verdade, a nossa decisão ainda é apenas um reflexo mecânico ou uma reatividade cega ao passado. Romper com um padrão antigo gritando ou batendo o pé não é autonomia; é apenas o outro lado da mesma moeda de dependência.

Nós só podemos escolher de verdade — e então experimentar a liberdade real de habitar onde decidimos estar — depois que temos a coragem de encontrar as nossas próprias sombras e conhecer a nós mesmos a fundo.

É somente nesse lugar de maturidade e autoconhecimento que os julgamentos externos e internos finalmente cessam. A partir daí, além de darmos uma liberdade genuína a nós mesmas, passamos a respeitar e tolerar a liberdade de escolha do outro. Afinal, precisamos sempre lembrar do pilar fundamental:

Só é verdadeiramente livre aquele que tem a coragem de assumir as suas próprias responsabilidades e bancar as consequências dos seus atos.

Espaço da nossa Aldeia

Mudar a nossa postura diante da vida exige parar de reagir ao que nos aconteceu e começar a agir com base em quem nós escolhemos ser hoje.

Olhando para a sua rotina atual, você sente que escolhe ativamente a sua maternidade ou tem a constante impressão de sofrê-la como um fardo imposto? Que escolhas conscientes você precisou fazer na sua vida para conseguir alinhar a sua autonomia pessoal com a criação dos seus filhos? Compartilhe as suas reflexões nos comentários. Vamos continuar clareando as nossas escolhas juntas na nossa aldeia!

Luciana Lima

Psicóloga • Especialista em Parentalidade

Psicóloga dedicada a ajudar famílias a construírem vínculos mais saudáveis e uma parentalidade mais consciente, acolhedora e prazerosa.