As festas de fim de ano por aqui não tiveram nenhum glamour ou poses ensaiadas para as redes sociais. Sem as distrações externas do consumo e das celebrações vazias, embarquei em uma viagem profunda rumo à minha própria realidade.
Fiz muita faxina. Faxina de verdade, daquela que exige corpo e presença. Arrumei cada armário da casa e desocupei espaços, jogando muita coisa fora. Permeei cada canto do meu lar habitando o silêncio que se abria entre uma brincadeira e outra das crianças. Sem sair do lugar, coloquei-me em retiro.
Eu poderia passar esse tempo lamentando as horas gastas lavando a louça, varrendo o chão ou organizando a bagunça. Poderia, inclusive, me envergonhar de assumir publicamente uma parcela da vida cotidiana que a nossa cultura nos ensina a delegar por parecer não ter valor. No entanto, fiz o caminho inverso.
A casa como mosteiro
Neste ciclo, a minha casa funcionou como o meu mosteiro. Cada tarefa doméstica repetitiva ganhou o status de ritual e teve o seu significado resgatado. Foi no compasso da vassoura e da água que tive inúmeros insights clínicos e pessoais. É ali que me sinto verdadeiramente pronta para começar este novo ciclo.
A cada passo dessa jornada, percebo-me com menos ilusões e menos expectativas ideais, mas preenchida por uma confiança e uma entrega renovadas e multiplicadas. Sinto-me com a coragem necessária para ser exatamente quem sou e oferecer o meu melhor ao mundo, inteiramente disposta a aprender com o que a realidade trouxer.
Se eu pudesse escolher uma única palavra, uma virtude para guiar os meus passos e que desejo ver multiplicada no mundo ao longo deste ano, essa palavra seria TEMPERANÇA. Que a justa medida, o equilíbrio e a calma nos acompanhem em cada pequena escolha e em cada recomeço.
Espaço da nossa Aldeia
Mudar a nossa relação com o cuidado da casa e das crianças exige enxergar a rotina não como um castigo, mas como o solo firme onde a nossa presença se constrói.
Como foi o seu encerramento de ciclo por aí? Você conseguiu encontrar momentos de silêncio e retiro na sua própria realidade ou se perdeu nas cobranças das festas ideais? Qual a virtude ou palavra que você escolhe para guiar o seu maternar e a sua vida neste novo ano? Compartilhe a sua virada de chave nos comentários!


